Caderno de memórias – Pt. 1

PARTICULAR

É complicado escrever de si mesmo, não é uma tarefa fácil como escrever uma receita, uma carta pra um amigo, ou até mesmo fazer uma postagem no Facebook. Como escrever de mim sendo quem sou? Um ser instável e de difícil compreensão? Sou sagitariano. É mais complicado do que parece mas já me disseram que escrevo bem, mesmo sabendo que era mentira. As pessoas falam qualquer coisa boa pra agradar ao outro. Mas aceito apenas as verdades que me diz respeito, então apenas sou modesto e concordo.

Sou tímido ao meu modo, apenas com quem não me conhece, assim como o Carrascoza: um grande escritor brasileiro e que tive o prazer de conhecer na faculdade, um coroa tímido, mas simpático. E bonito pra idade. Se soltou completamente no decorrer da apresentação em sala de aula, e acho que falar de si contribuiu pra isso, contar grande parte de sua história na presença de mais vinte pessoas foi o ponta pé. Ele admitiu que o ato escrever é um ato de coragem e concordo plenamente, pois nas palavras é que vamos nos descobrindo no desenrolar da nossa própria história. Me coloco diante do monitor e teclado sem nem ao menos saber por onde começar. Mas aqui estou de cara lavada pronto pra começar.

Confesso, fiquei um pouco ansioso com a vinda do autor trabalhado no semestre à nossa sala, mesmo acontecendo o que aconteceu. E estava sentido por não poder comprar um exemplar de seus livros e conseguir um autografo. Mas a lembrança do dia acredito que será a maior marca a ser levada daquele dia. Eu, assim como grande parte dos colegas, não esperávamos algo como aquilo ocorrido no dia, nossa vida é imprevisível onde em um momento está tudo certo, numa boa, e em outro vai tudo por água abaixo. Faz parte do ato de viver: vivendo e aprendendo. Vivendo e apanhando. Mas é o de menos.

Diários costumam possuir segredos íntimos, já tive um quando mais jovem, e por ser homem não o chamava de diário por achar muito feminino, chamava-o de “caderno de memórias”. Quando a escrita iniciava, escrevia até o pulso cansar e doer, de duas à cinco páginas, folhas manchadas por tinta de caneta recém usada seguidas por um alivio de espirito. Tem coisas que às vezes queremos falar mas cujo conteúdo não são bem recebidos por aqueles mais próximas e a quem costumamos desabafar, apesar de eu ser um livro aberto para quase todo assunto e não ter problema em discorrer sobre determinados temas. Portanto, meu caderno era meu amigo, o melhor possível: ficava calado enquanto eu falava, não me interrompia nem me criticava. Mas conseguia extrair toda minha verdade, mesmo involuntariamente e de modo bem incisivo. Aqui estou fazendo a mesma coisa a cada tecla mesmo preferindo uma caneta e papel.

Anúncios

1 comentário

  1. Devaneius · janeiro 12, 2017

    Escrever sobre si mesmo é um exercício. Acredito que, antes de querermos escrever sobre qualquer coisa, precisamos escrever sobre nós mesmos, e entender quem ou o quê somos. Você perceberá. quando achar que já extraiu tudo de si mesmo, começará a enxergar como deve escrever sobre outras coisas, e daí surgirão mais coisas sobre você que nem fazia ideia que estavam lá. 😉

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s